
Timbu, saruê, cassaco, mucura, gambá… A variedade de nomes mostra o quanto esse animal está presente na cultura brasileira. O gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris) é encontrado em matas, florestas, parques e, cada vez mais, nas cidades – especialmente nesta época do ano, quando sai em busca de alimento para seus filhotes.
Apesar da aparência incomum e de ser frequentemente mal compreendido, o timbu é inofensivo e essencial para o equilíbrio ambiental. Para sensibilizar a população e evitar maus-tratos e acidentes, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Paraíba (Semas) e o Conselho Regional de Medicina Veterinária da Paraíba (CRMV-PB) se uniram em uma campanha de proteção a esses animais.
De acordo com a médica-veterinária de animais silvestres e pets não convencionais Lilian Eloy, os timbus são aliados valiosos no controle de pragas urbanas. “Eles ajudam a eliminar animais que efetivamente fazem mal ao ser humano. Ao se alimentarem de escorpiões, carrapatos, vermes, pequenas cobras e aranhas, contribuem para o controle de pragas e ajudam na prevenção de doenças como a febre maculosa, além de acidentes com serpentes e escorpiões”, explica. Além disso, possuem imunidade ao veneno de algumas serpentes, o que os torna ainda mais eficientes nesse papel.
Lilian também alerta que alimentar animais silvestres ou sinantrópicos não é uma boa prática. “Eles acabam voltando ao local em busca de mais comida, o que pode gerar incômodo ou provocar acidentes, como mordidas e arranhões – especialmente se alguém tentar tocá-los”, alertou.
Com hábitos solitários e noturnos, durante o dia costumam se esconder em locais quentes e escuros – como forros de casas ou frestas de telhados – e, à noite, saem para se alimentar. Uma de suas estratégias de defesa mais curiosas é a tanatose: quando ameaçado, o animal pode se fingir de morto para despistar predadores. Também é capaz de rosnar alto – um barulho bem característico da espécie.
O nome “gambá” vem do tupi gã-bá, que significa “aquele que tem bolsa”, em referência ao marsúpio onde as fêmeas carregam os filhotes. Durante o período reprodutivo, essas mães ficam mais lentas e vulneráveis, muitas vezes vítimas de cães domésticos – atraídos por rações deixadas em quintais. Em áreas urbanas, os timbus são frequentemente vistos vasculhando lixo ou ração de animais, o que explica parte da convivência próxima com os humanos.
Segundo Juan Mendonça, gerente executivo de Fauna Silvestre da Semas, os timbus são onívoros e oportunistas, o que significa que se adaptam bem a diferentes ambientes e fontes de alimento. Comem frutas, pequenos animais e restos orgânicos. Além disso, são grandes dispersores de sementes e até polinizadores de algumas espécies. Ao controlar a população de pequenos animais, mantêm os ecossistemas equilibrados e ajudam a reduzir as populações de espécies que oferecem riscos à saúde humana.
“Esses animais podem ser encontrados tanto em ambientes naturais, como florestas e matas, quanto em áreas urbanas, como quintais, terrenos baldios e parques. Em João Pessoa, são frequentemente vistos em bairros arborizados, parques e áreas verdes próximas ao Litoral. Assim como os demais bichos, eles normalmente não atacam seres humanos – costumam apenas se defender. São inofensivos e só reagem se se sentirem ameaçados ou atacados. Por estarem em período reprodutivo, podem ter um comportamento mais arisco. Então, vamos ter cuidado e evitar qualquer tipo de contato. Se encontrar um timbu ferido ou em situação de risco, o recomendado é não tentar capturá-lo e ligar para o Batalhão da Polícia Ambiental, pelo telefone 190”, orienta.
Crime– Atos de violência, como maltratar, ferir ou matar esses animais são considerados crimes e podem resultar em prisão e multa.
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