

O 2º Agropalma reuniu cerca de mil produtores rurais da Paraíba e de estados vizinhos neste sábado, dia 3, na Fazenda Mandacaru, no município de Boa Vista. Eles foram apresentados à novas tecnologias e técnicas relacionadas ao cultivo da palma e do pastejo dos animais. A programação do evento incluiu exposição de produtos e equipamentos destinados às lavouras e a realização do leilão Norte Nordeste de Criadores de Sindi (raça bovina) e teve o apoio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap-PB).
Uma demonstração de uso de drone na lavoura para monitoramento de pragas e observação de pastejo (pastagem) de animais em áreas de plantio de palma também foi realizada.
O secretário da Sedap-PB, Joaquim Hugo, reforçou no evento o compromisso do Governo do Estado de buscar o melhor para o homem do campo. “Esse evento vai ser a virada de chave da pecuária do nosso estado. Eu tenho certeza que a cada ano esse evento vai crescer mais porque nós vamos levar para o estado todo”, afirmou.
As boas-vindas ao 2º Agropalma foi dada pelo proprietário da Fazenda Mandacaru, o produtor rural Antônio Batista de Almeida. Ele contou um pouco da história do lugar, adquirida no final da década de 90 pelo seu pai. Ele também ressaltou a importância da palma para o desenvolvimento do lugar.
O responsável pelo 2º Agropalma, o agrônomo Isaías Vitorino, que também integra a equipe da Sedap-PB, proferiu a palestra “Cultura da Palma de Sequeiro: História, Melhoramento Genético e Pastejo”. Ele fez um apanhado histórico sobre o cultivo da palma, mostrando que a planta chegou ao Brasil através da experiência militar mexicana do consumo da planta.
Isaías Vitorino apresentou nomes que contribuíram com estudos e ações que permitiram a introdução da palma no agro brasileiro ao longo de pouco mais de um século, com destaque para o pesquisador mexicano Claudio Armando Flores Valdez, que trouxe para o banco germoplasma (onde está preservado material genético, como sementes, tecidos ou células da planta para uso futuro).
O agrônomo Isaías Vitorino também enfatizou os melhoramentos genéticos e explicou que o ideal é cultivar vários tipos de palma com o objetivo de reduzir o risco do surgimento de pragas. Ele explicou sobre formas de adubagem e o pastejo animal nas áreas plantadas de palma.
Isaías Vitorino frisou as qualidades da palma, que é rica em cálcio, magnésio e potássio e orientou sobre a necessidade de complementação da alimentação animal. Ele também enfatizou as características resistentes da planta ao clima com baixa densidade de chuvas, que abrange 80% do território paraibano, especialmente o Cariri, onde está situada a fazenda Mandacaru, que possui 20 hectares de plantio da palma, a maior parte dela palma orelha de elefante.
O tema “Vencendo o Vazio Forrageiro com a Palma” foi abordado por Joaquim Dantas, da Fazenda Carnaúba, do município de Taperoá. Ele trouxe a experiência de sucesso do plantio e uso da palma na sua propriedade. “Nosso menor problema é a falta de chuva. Nós temos tecnologia para trabalhar nas condições climáticas que temos. A gente está vencendo os nossos bloqueios e temos condições de produzir igual a qualquer outra região do Brasil. Nós já fazemos isso na Fazenda Carnaúba”, relatou.
Joaquim Dantas ressaltou que o uso da palma como alimento para o rebanho, com o uso de técnicas apropriadas, como o pastejo dos animais no pomal (plantação de palma) e o plantio denso, tornam a cultura ainda mais rentável.
O 2º Agropalma atraiu produtores rurais e profissionais ligados ao agro de vários lugares da Paraíba e de outros estados. Caravanas de criadores de animais de municípios como Queimadas, Várzea e Junco do Seridó, por exemplo, estiveram presentes.
O evento também despertou o interesse de produtores de outros estados. Um deles foi Anastácio Sousa, da cidade de Brejo dos Santos, só que o município do estado vizinho do Ceará. “Um evento desse é importante não só pela questão de trazer essa confraternização entre os produtores, mas também por apresentar novas experiências, novas tecnologias. Eu acredito que funciona muito mais do que o técnico ir lá em campo dizer ao produtor como o que ele deve fazer, porque aqui nós estamos vendo que está sendo feito, mostrando que funciona. Acredito que o produtor absorve muito melhor e ele pode praticar isso”, comentou.
Entre as autoridades presentes, estiveram Mário Borba, presidente da Federação da Agricultura da Paraíba (Faepa-PB), e Júnior Nóbrega, presidente da Associação Paraibana de Criadores de Caprinos e Ovinos (Apacco), entidades que apoiaram a realização da 2º Agropalma. O evento contou, ainda, com o apoio do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Sebrae-PB, do Sistema Nacional de Aprendizagem Rural da Paraíba (Senar-PB), da Prefeitura Municipal de Boa Vista, entre outros.






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