

A Secretaria de Estado da Saúde, em parceria com o projeto da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), realizou, nesta quarta (9) e quinta-feira (10), o curso de capacitação para uso de Tecnologia Assistiva na Hanseníase utilizando materiais e dispositivos disponibilizados pela ação TECHansen, do Instituto Aliança contra Hanseníase, com o objetivo de ampliar o conhecimento de profissionais de saúde do estado para o tratamento de prevenção de incapacidades físicas e de reabilitação de pessoas acometidas pela hanseníase. O treinamento aconteceu no Hospital de Doenças Infecto Contagiosas Dr. Clementino Fraga, que é o serviço de referência estadual para o diagnóstico e tratamento da hanseníase, localizado em João Pessoa.
A oficina contemplou 11 profissionais de municípios endêmicos da Paraíba e quatro profissionais do Hospital Clementino Fraga que tiveram atividades teóricas e práticas. O curso foi realizado sob a coordenação do médico dermatologista e consultor do Ministério da Saúde (MS), da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), Dr. Maurício Nobre, que ressaltou a importância da adaptação de órteses como instrumentos de vida diária para pacientes com hanseníase, no contexto de um projeto em parceria com a Paraíba, iniciando em 2019.
“O curso de 16 horas ensinou a esses profissionais de saúde a utilizarem dispositivos que melhoram a qualidade de vida de pacientes que sofreram complicações devido a diagnósticos tardios da doença. As adaptações incluem órteses para as mãos e pés, além de ferramentas assistivas como adaptadores universais, tipoias e outros instrumentos que facilitam atividades cotidianas”, destacou.
Essas adaptações que facilitam e devolvem a habilidade da pessoa realizar atividades simples do dia a dia são chamadas de órteses, porque são instrumentos que complementam a função. É diferente de uma prótese, na qual a pessoa perdeu, por exemplo, a mão e a prótese substitui esse membro. No caso da órtese, ela facilita a função de um membro que existe.
De acordo com o médico dermatologista, o mais importante é enfatizar a importância do diagnóstico precoce da hanseníase para prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida dos afetados.
“O paciente com hanseníase pode ter uma complicação neurológica e perder a força ou ficar com alguma atrofia muscular ou diminuição de sensibilidade, principalmente nas mãos, nos pés e nos olhos. Então, quando as pessoas são diagnosticadas tardiamente ficam com algumas limitações e têm esse tipo de complicação, já o diagnóstico precoce evita isso”, explicou.
Para Felipe Ferreira da Silva, de 26 anos, morador do município de Baía da Traição, que já trabalhou como pescador e mototaxista, até não poder mais devido a uma lesão na mão ocasionada pela doença. O diagnóstico precoce teria feito uma grande diferença, já que só descobriu a hanseníase após uma cirurgia. “Estou me adaptando à nova realidade e aprendendo a usar a mão esquerda para as atividades diárias. As órteses que recebi, como um pegador de colher, foram muito bem recebidas, pois facilitam a vida para as dificuldades nas tarefas simples, que se tornam desafiadoras com a doença”, lembrou.
O diagnóstico da hanseníase também pode ser feito clinicamente, nas unidades básicas de saúde, pelos profissionais da saúde da família que estão mais próximos das comunidades afetadas.
TECHansen é uma ação do Instituto Aliança contra Hanseníase que prevê a doação de materiais e dispositivos de tecnologia assistiva para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiências físicas causadas pela hanseníase.





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