

O registro de um novo caso de raiva humana após 44 anos sem ocorrências em Brasília fez com que o Governo do Distrito Federal (GDF) reforçasse as barreiras contra o vírus rábico nas 33 regiões administrativas do DF. A antecipação da campanha de vacinação antirrábica de cães e gatos em 3 de julho se soma aos trabalhos de monitoramento da doença no Laboratório da Raiva, em atividade na Vigilância Ambiental de Zoonoses desde 1979.

Tanto em áreas urbanas quanto em rurais, a orientação é que todos os animais saudáveis de estimação sejam imunizados gratuitamente nos postos de vacinação ( Vacinação Antirrábica 2021 – Secretaria de Saúde ), mesmo os que já tenham sido vacinados há menos de um ano – período de proteção do antídoto. Atualmente há disponíveis 180 mil doses da antirrábica nos frigoríficos da Secretaria de Saúde, sendo outras 300 mil já solicitadas ao Ministério da Saúde para a campanha.
“Dado o risco de mortalidade pelo vírus da raiva, todo acidente ou contato suspeito com animais deve ser imediatamente tratado e comunicado às autoridades sanitárias para acompanhamento do caso”Laurício Monteiro Cruz, diretor substituto da Vigilância Ambiental em Saúde
Letal em 99,9% dos casos, a raiva é uma doença infecciosa de origem viral que acomete mamíferos, o que inclui cães, gatos, bovinos, equinos, suínos e animais silvestres, como macacos. Aves não transmitem raiva. O vírus fica presente na saliva de animais infectados e é transmitido principalmente por meio de mordeduras e, eventualmente, pela arranhadura e lambedura de mucosas ou pele lesionada.
“Dado o risco de mortalidade pelo vírus da raiva, todo acidente ou contato suspeito com animais deve ser imediatamente tratado e comunicado às autoridades sanitárias para acompanhamento do caso, tanto da parte humana quanto da animal”, orienta o diretor substituto da Vigilância Ambiental em Saúde, Laurício Monteiro Cruz.
O tratamento humano a que se refere o sanitarista é lavar bem o ferimento com água e sabão para retirada das moléculas do vírus deixadas na superfície pelo animal e procurar imediatamente uma unidade de pronto atendimento (UPA) para tomar a vacina antirrábica ou o soro. A vacina estimula a produção de anticorpos que vão combater a doença. O soro é o próprio anticorpo já produzido e aplicado em casos que necessitem uma ação mais rápida e emergente.
O bloqueio vacinal e de análise de possíveis casos de doença no DF é feito por meio de um trabalho integrado de órgãos capitaneado pela Secretaria de Saúde
É na Gerência de Vigilância Ambiental de Zoonoses, no Setor Noroeste, que funciona o Laboratório da Raiva. O espaço faz análise de materiais – parte do encéfalo – pós-morte colhidos de animais com suspeita de raiva no monitoramento de casos, produção de estudos e pesquisas relacionadas ao tema.
É muito importante procurar atendimento, por mais simples que possa parecer o ferimento e sem nenhum sintoma aparente, já que o vírus pode ficar incubado por meses até que se manifeste. “Todas as nossas atitudes (após o registro do caso de contaminação) foram rápidas e vacinar os animais é a principal delas, diante de tantas possibilidades de contágio”, explica Laurício Monteiro.
O bloqueio vacinal e de análise de possíveis casos de doença no DF é feito por meio de um trabalho integrado de órgãos capitaneado pela Secretaria de Saúde, entre eles as secretarias de Agricultura e de Meio Ambiente, a Emater e a Fundação Jardim Zoológico de Brasília, com apoio científico da Universidade de Brasília (UnB) e unidades particulares, além de médicos veterinários.
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