
O Sistema da Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Faepa/Senar Paraíba) promoveu no último dia 4 de março um debate sobre a utilização de pó de rocha para remineralização de solos. A prática, também chamada de rochagem, pode levar à substituição de fertilizantes sintéticos, que podem ficar escassos devido à guerra entre Ucrânia e Rússia, principal fornecedora desse tipo de insumo para o Brasil, e apresenta relevante potencial no Estado a partir do aproveitamento de resíduos de mineradoras e da geologia paraibana.
O pó de rocha é um subproduto da atividade de mineração. O pesquisador da Embrapa Cerrados, Eder Martins, fez durante o debate uma apresentação sobre o cenário nacional da utilização desses fertilizantes naturais e também falou sobre contexto paraibano, a partir de um estudo feito em parceria entre a instituição e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
“Sabemos que essa atividade é economicamente viável para a agricultura se houver fontes de pó de rocha em até 300 km de distância. Na Paraíba, identificamos que é possível cobrir todo o território com distâncias máximas de até 40 km. Então isso representa um potencial altíssimo”, explicou o pesquisador.
O encontro contou ainda com a participação de produtores rurais, presidentes de sindicatos paraibanos, técnicos agrícolas, equipe técnica do Senar e representantes de instituições como Associação de Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan) e UFPB. O técnico Ricardo Farias falou sobre a experiência que ele já desenvolve com a remineralização na região do Litoral Sul e revelou os benefícios da prática.
“Já trabalho com o pó de rocha em Conde, na produção de banana, e posso dizer que o resultado é um espetáculo. Vejo como um dos melhores insumos. Ele tem solubilidade lenta, o que ajuda a fixar os nutrientes no solo e melhorar a produção. O principal problema hoje é o custo logístico, que muitas vezes supera o valor do próprio produto”, resumiu.
Outros benefícios da rochagem são:
1) aumento da capacidade de troca catiônica, que diz respeito ao potencial de retenção de nutrientes na terra;
2) aumenta o pH do solo;
3) diminui a perda de nutrientes e
4) estimula a atividade biológica do solo e das raízes.
Segundo pesquisador Eder Martins, o Brasil importa em torno de 85% dos fertilizantes utilizados nas atividades agropecuárias. Por isso mesmo, o servidor da Embrapa defendeu o desenvolvimento de soluções locais e regionais, assim como o aumento da eficiência no uso dos recursos disponíveis.
O primeiro passo, de acordo com o pesquisador, é identificar quais são os setores de mineração existentes no Estado e quais são os resíduos que eles produzem. A partir disso, verificar se esses subprodutos estão contaminados e se já se encontram no tamanho apropriado para o consumo na agricultura e fazer as devidas correções através de técnicas como moagem, britagem ou peneiramento.
A sugestão foi aceita pelos representantes do Sistema Faepa/Senar-PB. “Também é papel do nosso sistema fomentar essas oportunidades. É importante articular outras entidades como a Federação da Indústria para fortalecer o Estado. O que beneficiar o produtor, nós queremos estar por perto. Por isso, vamos capitanear a criação de um grupo gestor para avançar na construção dessa iniciativa”, defendeu o superintendente do Senar, Sérgio Martins.
Plano Nacional de Fertilizantes
Na última sexta-feira (11), o Governo Federal lançou o Plano Nacional de Fertilizantes 2022-2050, para diminuir a necessidade de importação de fertilizantes no país e de ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional.
Junto com o plano, formalizado por decreto, foi instituído o Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas, que coordenará a política de fertilizantes com a participação de vários ministérios e de segmentos da sociedade.
De acordo com o Ministério da Agricultura, o Plano Nacional de Fertilizantes era pensado desde 2019, e não surge apenas como uma reação à crise de fertilizantes com a guerra na Ucrânia.
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