

As previsões climáticas para o ano de 2016 configuram um cenário de chuvas abaixo da média e predominância do fenômeno conhecido como El Niño que intensifica a longa estiagem no semiárido nordestino, como explica o físico e meteorologista Rodrigo Cézar Limeira. Segundo ele, as recentes chuvas que ocorreram em grande parte do estado da Paraíba se deve a outro fenômeno chamado vórtice ciclônico, provocando chuvas isoladas em algumas regiões.
“Esse sistema meteorológico, comumente, atua nos meses de dezembro e, principalmente, janeiro, com maior incidência, até fevereiro, provando chuvas isoladas aqui na região que, ainda, não caracterizam um período chuvoso, apenas, uma fase de chuvadas”, disse.
Rodrigo explica que a maior vantagem do vórtice é a recarga hídrica dada aos mananciais das regiões onde houve incidência da chuvarada, bastante afetados com a seca que já dura três anos desde sua fase mais crítica. “Ele é importante pela recarga hídrica dos mananciais provocando chuvas torrenciais que, em um caso como este que estamos vivendo, ameniza um pouco a situação de forte seca predominante na nossa região e esse tipo de fenômeno pode durar cerca de algumas horas, alguns dias e até algumas semanas. Só a cada 95 anos acontece um mês de janeiro tão chuvoso”, afirmou.
Os anos de 2012, 2013 e 2015, com exceção de 2014, foram os que choveram abaixo da média em decorrência do aquecimento abaixo do normal do Atlântico Sul na altura da costa do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, no período de fevereiro a maio, estação mais chuvosa da região do semiárido. Para 2016, haverá predominância do El Niño em larga escala bastante desfavorável para a incidência de chuvas na região. De acordo com o físico Rodrigo, são quatro etapas que formam o fenômeno. “Nós estamos enfrentando agora um novo inimigo que é um El Niño muito intenso com características bem parecidas com o de 1998. Qualquer El Niño tem quatro etapas: configuração, evolução, maturação e dissipação”, ressaltou.
Configura-se para o próximo ano um quadro de chuvas abaixo da média mesmo com a decadência do El Niño, como explica Rodrigo. “Existe a previsão de chover abaixo da média. Eu sempre tomo por base o pluviômetro da Embrapa, em Patos, que fornece dados para a Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa). Colocando de janeiro a junho, deve chover em Patos de 200 a 400 ml. A média climatológica normal de chuvas, ou seja, em um ano normal, é de 700 ml, em Patos. Em 2016, deve chover entre 200 e 400 ml. Quer dizer, nós temos um cenário que não é bom pra chuva”, informou.
Com as chuvas abaixo da média, a situação dos mananciais, que já é crítica, tende a se agravar. Portanto, é necessário manter as práticas de economia e educação hídrica.
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